Histórias à Beira Rio, viagens e andanças pelas aldeias da minha terra

Somente as histórias são certas...

Enquanto o peixeiro na sua carrinha expõe o pescado capturado na última madrugada em alto mar, estacionado no lugar habitual da biblioteca ambulante satisfazendo uns clientes, o viajante das viagens e andanças espera pacientemente. A sombra da pimenteira, cúmplice das histórias, avança devagar à medida da escalada do sol. O primeiro sai buzinando, repetindo o som, propagando-o pelas casas adentro ao limite da aldeia chamando a clientela. A biblioteca ambulante abraça a sombra, abre as portas deixando a claridade reanimar as personagens das histórias da obscuridade em que se encontravam. Os leitores são como a fruta dos marmeleiros que vejo, cujos ramos se debruçam para a estrada, de cor verde pálida a tornar-se amarela. Quando sucessivamente folheiam as páginas das histórias, impregnando a biblioteca ambulante com um aroma a tinta impressa, e a facilidade com que fazem desaparecer as palavras na imaginação. A tarde chegou repleta de animosidade, para trás ficou uma manhã que não se cansou de acariciar as pessoas. O frente a frente entre o verão e o outono irá ser assim nos próximos dias, dificultando as pessoas a decidir o que vestir pela manhã para não prejudicar o seu conforto nas restantes horas diárias. A determinação daqueles que possuem vinhas por vindimar, olivais para pulverizar, e outras tantas dúvidas que assomam à tona destes dias de incertezas. Somente as histórias são certas nas aldeias da minha terra por meio das palavras e atitudes.

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