Histórias à Beira Rio, viagens e andanças pelas aldeias da minha terra

O sopro, deixará de o ser, ...

Em vésperas de o verão nos mostrar o pior do seu carácter, o vento continua a demonstrar a sua bondade. Daqui pra frente não sei se conseguirá a ensinar as crianças que brincam no recreio da escola, a correr de um lado para o outro, na sombra da copa da única árvore existente naquele espaço. Uma mãe protegendo os filhos com a ajuda do vento agradável. Na biblioteca ambulante sabe bem receber a deslocação do ar, seguindo-o, entram os leitores, impressionados com o ambiente bom. A velocidade das palavras nas histórias a folhearem as páginas onde nasceram. Uma corrente amena de criatividade, um sopro de pensamentos escritos rodopiando na escassa área da biblioteca ambulante. Contendo um grande poder de instrução e esclarecimento. O sopro, deixará de o ser, nos próximos dias o vento fechará a boca. Perderá influência, frente a frente, ao sol  e à sua faculdade calorífica. Serão dias difíceis a espreitar as sombras possíveis para proteger as histórias do sol sem compaixão. Os caminhos cruzando o largo vão dar à praia fluvial , os automóveis parecem flechas em direção à água, no rio Zêzere. Com o vidro das portas em baixo, os passageiros com os rostos vermelhos do ar quente, têm o pensamento afogado na água do rio, não olham para a biblioteca ambulante. Não sabem nadar no rio de palavras, mergulhar nos enredos e regressar à tona com os olhos marejados de conhecimento.

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