Histórias à Beira Rio, viagens e andanças pelas aldeias da minha terra

Mudando a ação que leem...

O dia levantou-se com um sorriso no rosto, na aldeia, em Rio de Moinhos, corre por enquanto uma ligeira frescura, fugindo da temperatura elevada do ar. No largo da igreja prosseguem os trabalhos de limpeza, em cima  das ervas daninhas, realizados por operários da Junta de Freguesia. À medida que, na biblioteca ambulante, os leitores entram e saem com palavras que se leram, e por ler. A manhã foge-me, não a conseguirei apanhar, os leitores são como a aragem fresca, estão a chegar todos antes do meio-dia. Voltei ao local do princípio do dia, sem esperança de encontrar novamente leitores, descobrindo minuciosamente cada palavra, nos títulos das histórias. Nas páginas desconhecidas, como aqueles exploradores, no passado, avançando pelo interior, no ventre das terras desconhecidas. Escalando relevos de altitude consideráveis, ao contrário, descendo vertentes declivosas. Mudando a ação que leem em algo tangível. Antes a biblioteca ambulante, esteve na aldeia da Amoreira, onde é cada vez mais difícil ter um lugar para estacionar, junto do exíguo largo. A paragem, por isso, foi curta, o tempo necessário para o leitor da aldeia selecionar a história. A sombra da pimenteira substitui o guarda-sol, protegendo as histórias da fúria da bola de fogo. Jogável no céu azul, de uma ponta à outra, nas aldeias da minha terra. Se não houver lances perigosos, raios arremessados do alto das nuvens, alguma precipitação entusiasmada pelo jogo. Será um final de tarde perfeito para as gentes da minha terra.

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