Histórias à Beira Rio, viagens e andanças pelas aldeias da minha terra

Escultor de imagens...

Surgiu na rua desocupada, no seguimento do meu olhar planeado, certificando-me se alguém um leitor, viessem na direção da biblioteca ambulante. Vagaroso, apoiando-se numa bengala, aproximou-se da porta grande sem tirar os olhos das prateleiras. As histórias quando o viram a espreitar, empertigaram-se expectantes. Entrou, em seguida começou a ler os títulos, a retirar histórias, selecionando aquelas que lhe tocaram os sentidos, onde reconhece ter interesse na leitura. Ali ficou, em pé, lendo as palavras que o puxavam à riqueza da escrita. Metendo-o dentro de cada história, confundindo os seus pensamentos entre a realidade e o fantástico. Escultor de imagens, não se cansou de perseguir as palavras, ajustando à sua maneira a leitura. Lê com fulgor, entregando-se aos personagens que ali abundam, nas páginas cheias de alvoroço. Por vezes a sua atitude traduz-se em modificações, na respiração,  nas expressões do rosto. Sempre que ultrapassa as páginas nota-se lhe um estado de perturbação crescente. Causado na percepção ou iminência de algo prestes a acontecer na história. Entranhou as palavras, não pode viver sem elas, dão-lhe força para continuar acreditando na magia da leitura. Dando-lhe intervalos no tempo para depositar memórias novas.

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