
O sino bate onze vezes, na torre da igreja, na aldeia do Vale de Açor a seguir à biblioteca ambulante ter permanecido estacionada na aldeia de S. Miguel do Rio Torto. Neste dia a primeira aldeia a ser visitada. No espaço exterior ainda são visíveis os adornos coloridos, bailando sob o efeito do movimento repentino do vento. Dá para acreditar na satisfação das pessoas da aldeia, dos forasteiros, que estiveram no lugar durante o acontecimento festivo. O arrulhar das rolas estende-se pela aldeia, destacando-se do ruído peculiar da povoação. Na biblioteca ambulante as histórias são reféns deste rumor silencioso, enquanto nada acontece, o tempo avança ao encontro de outra aldeia. Debaixo da tília, ocupando a sua sombra, na aldeia das Bicas, as palavras são enfeitiçadas pelo aroma das suas flores. Arriscam sair das brochuras, desnudando assim as páginas, colocando à vista de todos a fragilidade de uma folha de papel em branco. Sem emoções não vale nada. As palavras pairam no ar, dançando tal e qual como os ornamentos no recinto da festa, atraindo os leitores, as poucas pessoas que passam próximo da biblioteca ambulante. O vento brando entrou devolvendo o perfume natural das flores da tília, que se escapava sorrateiramente, perante a distração das palavras. A folia das personagens desunidas das páginas, a inquietação ,se as mesmas encontrarão os seus lugares nos acontecimentos dos respectivos enredos, depois deste festim. Sem formalidades, levou-as, entregado estas, juntamente com as figuras fictícias, definidas nos seus papeis nas histórias aos leitores da aldeia.