Histórias à Beira Rio, viagens e andanças pelas aldeias da minha terra

Afastando-se precipitadamente do mundo estúpido...

O sol agarrou-me novamente, a intensidade com que me prende deixa-me sem soluções para escapar. No largo muitas das pedras que o complementam não têm sombra, excetuando as que estão protegidas pelos plátanos. Debaixo de uma destas árvores é onde a biblioteca ambulante está estacionada. A ver os transeuntes afastando-se precipitadamente do mundo estúpido em que nos encontramos. Nenhum destes impacientes tentou sequer entrar na biblioteca ambulante, de portas abertas incitando a conhecerem as histórias. Alimentarem-se das palavras para desenvolverem defesas face aos problemas sociais e políticos que atravessamos nos dias de hoje. Noutro local, na cidade, são várias as culturas no mesmo bairro, na inclusão, na língua, no trajar, na religiosidade. Em comum são as ausências a falta de inquietação perante a presença assídua da biblioteca ambulante no bairro. Estas pessoas têm de a frequentar, aprender palavras na língua do país que as adoptou. Conviverem com autores diferentes, ideias desiguais uns dos outros, sempre apontadas á imaginação dos leitores. Atingir a normalidade. O bairro rodeado de espaços verdes, muralhas onde árvores gigantes impedem a arrogância ameaçadora do sol. Quando agitadas promovem correntes de ar ameno, agradável para fantasiarmos com a leitura.

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