
O céu está rasurado pela passagem dos aviões rasgando a atmosfera. Uma sucessão de acontecimentos que não se consegue evitar, viajantes sem rosto atravessam as aldeias da minha terra. Rumando em várias direções, perseguindo histórias diferentes, encontros e desencontros, fugir. Nas páginas, seguindo as linhas de palavras dentro do silêncio da aldeia, na parte interna da biblioteca ambulante. Aquela que abriga os sentimentos e as emoções, impossíveis de alcançar por aqueles que passam, olham, e comentam murmurando entre dentes. O relógio da torre sineiro da igreja repica as dez horas que o dia leva de pernoitar. De madrugar, de reforçar a aldeia com pessoas nas ruas. Chegam ao mesmo tempo à mercearia, lugar de articulação para o resto do dia. O pão, o café para acordar, um cigarro para expiar os pensamentos. Géneros alimentares para suprimir a ausência de alguma coisa na despensa. Ou prevenir com algo para saciar uma sofreguidão de última hora. Na biblioteca ambulante, as notícias correm depressa perante a leitura perspicaz do leitor. Sem tirar o olhar da informação, vai desenvolvendo análises críticas com o viajante das viagens e andanças. A manhã sumiu-se numa fração de segundos.