Histórias à Beira Rio, viagens e andanças pelas aldeias da minha terra

As bibliotecas ambulantes viajam à boleia das nuvens...

Sempre que visita a aldeia de S. Facundo, a biblioteca ambulante no período da manhã instala-se na rua principal, defronte da igreja. Hoje, é um desses dias marcados no calendário das viagens e andanças. Com a porta grande aberta aguardando por leitores, ouço passos aproximando-se. De repente duas mulheres olham para mim, uma delas pergunta se estava aguardando por alguém, a expressão nos rostos das mulheres diz-me que a notícia não é a melhor. Antecipei-me e respondi que sabia. A leitora habitual das manhãs na aldeia, partiu sem avisar para sempre. Ficam as memórias, as conversas ocasionais, sobre a aldeia e as suas pessoas. As histórias por ler. No céu as bibliotecas ambulantes viajam à boleia das nuvens. Aglomerados espessos de histórias provenientes da reação do pensamento, da imaginação, através dos tempos a passarem na boleia do vento. A precipitação das palavras acontece no contato com as mãos dos leitores, abrindo página atrás de página, ansiosos pelo final dos acontecimentos descritos. Ensopados da cabeça aos pés, os leitores estão felizes embebidos nos enredos. Ficam arrebatados pelas palavras a caírem sobre eles, bebem lentamente, fazem-nas desaparecer guardando-as na alma.

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